Designer Instrucional: O que faz, quanto ganha e como se tornar um DI

Para explicar a profissão Designer Instrucional, é importante fazer uma reflexão sobre o “Design” e para que ele serve, independente da área em que é aplicado.

O Design serve para projetar uma solução melhor e preferida para determinado problema. 

Por exemplo, um Designer de Interiores planeja e organiza espaços para que fiquem mais agradáveis e funcionais. Já o Designer de Móveis cria mobiliários que atendam requisitos ergonômicos e estéticos.

Quando trazemos esse conceito para o Designer Instrucional, também estamos falando sobre projetar uma solução melhor e preferida, porém, no âmbito da instrução/aprendizagem.

Em outras palavras, o Designer Instrucional projeta soluções de aprendizagem que tornam o aprendizado mais fácil, mais fluido, mais interessante e engajador.

Apesar de não ser uma profissão nova, poucas pessoas sabem quem é, o que faz e no que consiste o trabalho do DI.

Para jogar uma luz sobre o tema, esse artigo vai responder às perguntas mais frequentes sobre a profissão do Designer Instrucional.

#1 – Qual é o papel de um Designer Instrucional?

O papel do  DI é facilitar a aprendizagem aplicando processos de Design Instrucional.

Para isso, ele precisa considerar o conteúdo a ser ensinado, o público-alvo (a quem será ensinado) e o contexto em que esse aprendizado acontecerá.

Assim, o DI projeta a solução de aprendizagem que melhor atende às necessidades do projeto.

#2 – O que faz um DI na prática?

Na prática, as atividades e responsabilidades do Designer Instrucional mudam conforme a etapa do processo em que o projeto está.

Vamos considerar o Modelo ADDIE para o exemplo a seguir. O ADDIE consiste em 5 fases e diferentes atividades acontecem em cada uma delas.

No Planejamento e Análise, algumas das atividades do DI são:

  • Análise de contexto;
  • Análise de conteúdo;
  • Mapeamento de público-alvo;
  • Levantamento de necessidade de treinamento;
  • Desenvolvimento de propostas de treinamento; 
  • Definição do formato da solução de aprendizagem.

Já na fase de Design, ou seja, de desenhar a solução, o DI:

  • Elabora roteiros/storyboards;
  • Cria métodos de avaliação;
  • Roteiriza as aulas, simulações, módulos e objetos de aprendizagem;
  • Tem maior “interface” com conteudista.

Depois de planejar e desenhar a solução, o Designer Instrucional parte para o Desenvolvimento, ou seja, para a produção das telas do curso e dos objetos de aprendizagem.

Com tudo pronto, o DI é quem faz o controle de qualidade da solução de aprendizagem e, se for um e-learning, testa o curso na plataforma de aprendizagem durante a Implementação.

A última fase do projeto é a Avaliação de Resultado, onde o DI pode utilizar um processo de avaliação como o Modelo Kirkpatrick para medir diferentes aspectos do projeto.

Isso não significa que uma única pessoa é responsável por todas essas atividades.

Enquanto Designer Instrucional, você pode atuar apenas em uma das fases ou fazer a gestão do projeto como um todo, enquanto outros DI’s executam as atividades.

A estrutura da empresa em que você trabalha, o nível do seu cargo (júnior, pleno, sênior), sua preferência e outros fatores podem determinar quais atividades estarão no seu escopo.

#3 – DI, DE ou DA?

Por ser uma profissão pouco conhecida, você encontra o “job description” do DI sob diferentes nomenclaturas.

Além do Designer Instrucional, há o Designer Educacional, Designer de Aprendizagem (ou de Experiência de Aprendizagem) —  sem mencionar os cargos de Analista de Treinamento, Analista de Recursos Humanos.

Existe diferença entre eles? Para mim, não. DI, DE e DA são apenas nomes diferentes para falar sobre a mesma coisa.

Uma teoria é que esses nomes indicam o foco que aquele profissional terá ao facilitar a aprendizagem.

Por exemplo, o foco do DI é na instrução pontual, enquanto o DA tem um foco maior no aluno e na experiência de aprendizagem dentro e fora da sala de aula, e o DE tem um olhar voltado para o cidadão.

Isso não quer dizer que um DI também não possa focar na experiência de aprendizagem ou um DE não desenvolva soluções pontuais.

Por isso, ao se candidatar a uma vaga, é importante que você esclareça quais são as expectativas da empresa com relação a sua atuação.

#4 – Por onde começar na profissão?

A resposta para essa pergunta depende do momento em que você está e de quais são seus objetivos de carreira.

Por exemplo, se você quer atuar como DI no ambiente acadêmico e já ocupa uma outra função dentro desse mesmo ambiente, o caminho que recomendo é a migração para uma vaga de Designer Instrucional Júnior.

O mesmo serve para quem está no ambiente corporativo, executando outra função e quer atuar nesse mesmo mercado. Converse com seu gestor e busque oportunidades de migração.

Agora se você precisa começar do zero, minha sugestão é que busque empresas conhecidas como fábricas de conteúdo, como a SOU Educação, Affero Lab, Mobiliza, etc.

Essas são as melhores escolas para um Designer Instrucional. E aí você pode buscar vagas como DI Júnior ou até mesmo estágio em Design Instrucional.

#5 – Como ser um Designer Instrucional, independente da sua formação?

Em uma das aulas abertas deste ano, apresentei todas as competências requeridas a um Designer Instrucional, de acordo com o nível do seu cargo.

Além delas, existem 5 coisas essenciais para um Designer Instrucional:

  1. Atitude positiva, ou seja, ser capaz de enxergar oportunidades e de entender que aprendizado também é ganho, e isso muitas vezes transcende outros fatores como “cliente chato”, “tema desafiador”, etc;
  2. Proatividade, o DI precisa ser curioso, precisa pesquisar, perguntar, ler e, sobretudo, não se acomodar no que já conhece e domina;
  3. Interesse genuíno por aprendizagem, afinal, como dissemos mais acima, o papel do Designer Instrucional é facilitar a aprendizagem;
  4. Compromisso com o projeto antes de tudo, ou seja, estar disposto a tomar decisões que considerem o bem do projeto como prioridade 0.

    Não importa de quem foi a ideia, se ela é a melhor solução, é com ela que o DI deve trabalhar;
  5. Perspicácia, em outras palavras, estar atento ao ambiente, ao contexto, ao mundo. Atualizar-se periodicamente e ser proativo.

Abandone esses hábitos se quiser ter sucesso como Designer Instrucional

#6 – Quais cursos fazer para ser um Designer Instrucional?

Atualmente, existem pós-graduações em Design Instrucional, graduação e cursos livres. Cada um tem seu objetivo e devem ser realizados de acordo com seus objetivos profissionais.

Se você está começando, recomendo cursos livres que tragam bastante prática sobre o tema.

Para conseguir oportunidades e começar sua carreira como DI, você precisa de prática!

Uma pós-graduação ou graduação vão enriquecer seu conhecimento teórico, mas além de demorarem para serem concluídas, elas não te colocam em ação.

Existem algumas opções de cursos livres no mercado e você pesquisar para encontrar a que funciona melhor para você

Eu recomendo a Comunidade DI em Ação, um espaço que eu criei para que apaixonados por desenvolver pessoas se tornem Designers Instrucionais Indispensáveis.

Meus alunos têm acesso a um curso completo sobre Design Instrucional, encontros quinzenais comigo para tirar dúvidas, Bootcamps temáticos para colocar a mão na massa e executar funções reais do DI, um grupo secreto no LinkedIn, e a todas as aulas abertas (somadas ao curso, são mais de 80h de aulas).

#7 – O que estudar para ser um DI?

Além dos Processos de Design Instrucional, é importante que você conheça e estude alguns outros temas, tais como: Andragogia, Taxonomia de Bloom, Educação Corporativa e Ferramentas de Autoria

#8 – DI é só para e-learning?

Apesar de ter conquistado mais espaço por meio do e-learning, ou seja, de cursos on-line, o processo de DI também pode ser aplicado para os treinamentos presenciais.

Se há uma necessidade de aprendizagem, o Design Instrucional deve ser aplicado.

#9 – Qual é o tamanho do mercado de Design Instrucional?

Para trazer mais clareza para você, listei 5 segmentos de mercado como exemplo de possibilidade de atuação para o DI:

  1. Mercado Corporativo, todas as empresas que têm uma área de treinamento ou Universidade Corporativa precisam de um Designer Instrucional;
  2. Mercado Acadêmico, aqui, me refiro a todas as universidades e escolas. Todas elas precisam de um DI na equipe;
  3. ONGs engajadas em Educação;
  4. Setor público, afinal, os funcionários públicos também precisam aprender.
  5. Fábricas de Conteúdo, ou seja, empresas que fornecem soluções de aprendizagem.

Basicamente, onde há uma necessidade de aprendizagem, há também uma oportunidade de atuação para o Designer Instrucional.

#10 – Quanto ganha um DI?

O salário de um Designer Instrucional varia de acordo com o cargo, o segmento, a cidade e etc.

Segundo o Glassdoor, a média salarial para um Estágio em DI no Brasil é de R$1.000. Já um Designer Instrucional Júnior tem o salário médio de R$3.058/mês. Enquanto o Pleno chega à média de R$4.334 e o Sênior R$6.027.

#11 – Designer Instrucional é a profissão do futuro?

Quando a profissão Designer Instrucional surgiu, ela era considerada por alguns como a profissão do futuro.

Algumas pessoas ainda se referem dessa forma ao DI, porém, cada vez mais, o Designer Instrucional se fortalece como a profissão do agora.

Com o advento da pandemia em 2020 ficou claro que a facilitação da aprendizagem por meio da tecnologia é uma necessidade do agora, e não do futuro.

A nossa profissão se reinventa o tempo todo e nós precisamos acompanhá-la.

E é por isso que eu compartilho conteúdos gratuitos…

Para ajudar você a se manter atualizado e para tornar o Design Instrucional cada vez mais conhecido.

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