Análise

Modelo ADDIE: 7 pontos de Análise

Soani Vargas
Escrito por Soani Vargas em 17 de junho de 2020

Esse é o primeiro post de uma série sobre o ADDIE, em cada um vou falar sobre uma etapa desse processo. Vem comigo!

O Modelo ADDIE é o mais usado no processo de produção de e-learnings, simplesmente porque ele é um modelo lógico. É o meu modelo preferido ❤, mas isso não quer dizer que não há desvantagem: é um processo longo para os tempos atuais de projetos ágeis…

Entretanto, quanto melhor você conhecê-lo, maior pode ser sua flexibilidade e mais seguro você se sentirá para adaptar algumas coisas e ganhar tempo, mesmo que eu ainda insista que para um projeto sair redondinho, tem que passar por todas as letras cumprindo, ainda que minimamente, cada uma das etapas.

Nesse post vamos entender melhor a primeira etapa desse modelo.

Group of business people analysis with marketing report graph, Young specialists are discussing business ideas for new digital start up project.

Na etapa de Análise os principais atores envolvidos são: Cliente , Conteudista, Gerente de Projeto e Designer Instrucional.

ADDIE – A de Analysis

A primeira etapa é a de Análise do projeto, a ideia é garantir uma visão macro para entender como atuar de forma assertiva.

É nesse momento que você deve buscar informações sobre:

– Público-alvo

Algumas perguntas importantes são:

Quem são as pessoas que vão receber o treinamento?

Qual a idade, escolaridade e interesses?

O tema do curso é novidade ou existe conhecimento prévio?

Onde eles farão o curso: no trabalho, em casa?

Usarão dispositivos móveis?

O treinamento será alocado na escala dele ou ele decide quando faz?

O curso faz parte de uma trilha de treinamentos obrigatória, regulatória ou é um curso livre?

Essas são algumas perguntas que trazem respostas que direcionam o trabalho doDesigner Instrucional. Com elas, o DI já pode começar a pensar no traço da ilustração (é um público jovem? Que tal um cartoon ou mangá?) ou se a ilustração é realmente necessária (há uma grande discussão sobre usar ou não personagens nos cursos on-line… mas isso fica para outro post).

Já dá para saber também se a abordagem será formal ou informal, se um conteúdo de revisão basta ou se será preciso aprofundar mais sobre o tema, o que já leva para pensar na carga horária… e por aí vai.

O mundo ideal seria conseguir conversar com uma amostra da população a ser treinada, faz toda a diferença! Mas, se isso não for possível, você poderia enviar uma pesquisa para conhecer algumas preferências das pessoas, usando Google Forms, por exemplo.

– Objetivos de aprendizagem

O que o curso pretende ensinar?

Como esse objetivo é construído?

Qual o nível de conhecimento que se pretende alcançar?

Como saberemos que o objetivo foi alcançado? Quais os indicadores?

Haverá avaliação de transferência?

Qual o objetivo de desempenho desse treinamento?

Com essas perguntas você começa a traçar uma estratégia para o seu curso.

É muito importante que fique claro para todos os envolvidos qual o nível de aprendizagem que se busca, para isso você pode recorrer à Taxonomia de Bloom.

Você pode saber mais sobre esse tema aqui (em texto) ou aqui (em vídeo).

Conhecendo o quanto você deve se aprofundar para construir o conhecimento, você elabora melhor a avaliação e pode sempre checar se o curso, seus módulos e as telas estão de acordo com esse objetivo.

– Infraestrutura disponível

Em que ambiente o curso será realizado?

Esse local/região tem alguma restrição de banda?

Se for necessário, a empresa disponibiliza wi-fi?

Há uma sala de treinamento? Ou o aluno vai fazer o curso na sua posição de trabalho?

Aqui você vai perceber alguns pontos que interferem indiretamente na experiência de aprendizagem e se eles podem ou não ser minimizados com o seu trabalho.

– Requisitos técnicos

É necessário que o aluno tenha algum software específico instalado em seu computador?

Há disponibilidade de fones de ouvido?

É permitido acessar links externos para pesquisa?

Os plugins estão atualizados?

É importante que a área de TI seja parceira da equipe de e-learning, porque alguns temas que cabem a ela podem restringir seu trabalho.

– Estrutura do curso

O curso será modular?

Em quais pontos é preciso testar ou reforçar o conhecimento?

A avaliação será diagnóstica, somativa ou formativa? Ou você tem espaço para aplicar todas elas, cada uma em seu momento?

– Conteúdo

O conhecimento está dentro da empresa ou é necessário contratar uma consultoria especializada?

Os especialistas no tema estão disponíveis durante o desenvolvimento do projeto? Quão acessíveis são?

Existe algum interior disponibilizado anteriormente que remeta ao projeto atual?

O conteúdo é de fácil acesso?

Será necessário captar conteúdo?

Ao longo do curso, o aluno poderá tirar dúvidas com um tutor?

É na fase de Análise que esse tópico precisa ficar bem claro. Muita coisa pode ser ajustada ao longo do processo sem interferir na entrega final, mas conteúdo é a base de tudo.

Esse tema pode ser um pouco delicado, porque é comum que o conteudista seja preciosista com seu conteúdo, ele comumente acredita que quanto mais conteúdo colocar no curso, melhor ele será. E o nosso papel como DI é fazer esse conteúdo passar pelo filtro do objetivo de aprendizagem; já o nosso papel como Diplomata é fazer isso da forma mais delicada possível 😉

– Critérios de avaliação

Como o aluno será avaliado no final do curso?

Quantas tentativas?

Será possível ou necessário consultar materiais complementares para fazer a prova?

O que acontece em caso de reprovação?

É preciso ter em mente desde o início qual será o processo de avaliação do aluno, de maneira que o curso seja desenhado para dar insumos o suficiente para esse momento.

Sabe quando a prova tem “pegadinha”, quando tem pergunta que não estava no curso? Se isso acontecer, provavelmente faltou concluir essa etapa aqui.

Depois de coletar todas essas informações, ou o máximo possível, você já será capaz de elaborar uma boa proposta de solução de treinamento. Quanto melhor for a coleta de informações, mais rica será a proposta!

Vale ressaltar que o ADDIE é um modelo cíclico, então se essa etapa ficar incompleta, isso vai repercutir em todo o processo… algumas coisas a gente consegue resolver no caminho, outras não.

Fique atento às lacunas para não ser pego de surpresa, por exemplo: não tem certeza se o aluno terá acesso ao áudio do curso, exclua áudio da proposta; o cliente não soube definir a escolaridade dos alunos, não nivele por baixo nem por cima.

alguns pontos são inegociáveis: falta de conteúdo, indisponibilidade do especialista no tema, objetivo de aprendizagem indefinido.

E você pode estar pensando agora: “mas isso realmente nunca acontece?”

Infelizmente sim, acontece 😢 Mas deve ser exceção.

E o que fazer quando isso acontecer? Você vai fazer o melhor possível com o que você tem.

Por ora, dedique-se a fazer uma boa análise, apontar soluções e mitigar riscos, se for necessário.

O próximo post dessa série será para falar do primeiro D do ADDIE, de Design.

Até a próxima!

E aí,

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3 Replies to “Modelo ADDIE: 7 pontos de Análise”

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