Gestão

Metas SMART ou HARD?

Soani Vargas
Escrito por Soani Vargas em 8 de maio de 2020

Até alguns dias atrás, quando se falava em objetivos de desempenho eu logo pensava em S.M.A.R.T. e talvez o mesmo aconteça com você.

Se sim, você já sabe, o S é de específico, o M de mensurável, A de Atingível, R de Realizável e T tem a ver com tempo, prazo. Usar esses critérios para definir objetivos é muito comum do meio corporativo e isso nunca me incomodou muito – apesar de sempre achar um pouco chato tentar escrever uma frase que resumisse tudo isso.

Inclusive, falar sobre esse tema é um dos requisitos para uma conversa sobre levantamento de necessidades de treinamento.

Pois bem, mas chegou às minhas mãos que me fez mudar completamente a perspectiva ao pensar em objetivos de desempenho.

Não é um livro fácil de achar nas livrarias e, pelo que pesquisei, o custo está fora da média, mesmo em sebos.

Trata-se de METAS QUE DESAFIAM – A CIÊNCIA DOS FEITOS EXTRAORDINÁRIOS (HARD Goals) de Mark Murphy.

Livro Metas que Desafiam

A primeira coisa que você precisa saber é que assim, como o SMART, o HARD também é um acrônimo: Heartfelt, Animated, Required e Difficult… que, em português, ficou: Sinceridade, Animação, Necessidade e Dificuldade.

Logo na Introdução, o autor faz provocações como “…a maioria de nossas metas não vale o papel em que está impressa (ou os pixels que a exibem)”. Bem, não quero fazer ninguém confessar nada publicamente aqui, mas eu e você sabemos que algo assim já passou pela sua cabeça ao definir as metas para o Plano de Desenvolvimento Individual ou para aquele projeto no qual nem o demandante sabe muito bem o que quer.

Ainda no campo das provocações, Mark comenta sobre como poderiam ter sido traçadas as metas de Steve Jobs, provavelmente nada que pudesse ser entendida como atingível ou realista.

E então, ele caminha para algumas perguntas de reflexão – e convido você a parar e pensar por um instante – sobre metas importantes que já realizamos, seja perder peso, ganhar uma maratona ou duplicar a receita da empresa:

“- Aquela meta me desafiou e me forçou a sair de minha zona de conforto?

– Eu tinha uma profunda ligação emocional com aquela meta?

– Precisei aprender novas habilidades para realizá-las?

– Foi meu investimento pessoal naquela meta que me fez senti-la como absolutamente necessária?

– Eu seria capaz de imaginar vividamente o que seria realizar minha meta?”

E onde ele esperar chegar com essas respostas? Que entendamos que se a meta for suficientemente importante para nós, nada será um problema tão grande para alcançar o sucesso.

Capítulo 1: Sinceridade

No primeiro capítulo, a pergunta chave é “Por que você se importa com essa meta?” e, quanto mais sincera(o) você for, mas interessante a coisa fica. Isso porque se a sua resposta for algo próximo de “estou fazendo isso porque preciso” ou “porque senão perco meu emprego” tão proporcionalmente distante você estará de realmente alcançar seu objetivo de desempenho.

É preciso ter uma ligação emocional com sua meta para que ela seja, de fato, sua… caso contrário, é a meta de outra pessoa – e, afinal, por que raios você vai se comprometer com as metas dos outros?

Mas não se engane, não basta ser emocional, você precisa de indicadores (quanto peso, qual percentual…), mas o fato é que se você não estiver sinceramente  ligado a essa meta, os números permanecerão frios e você provavelmente abandonará a meta de alguma forma.

Há alguns indícios que mostram se você vai ou não estabelecer uma relação emocional e sincera com sua meta:

– você tem uma ligação sincera com a meta em si (intrínseco)

– você tem uma ligação sincera com a pessoa a quem você está dedicando a meta (pessoal)

– sua ligação sincera é com a recompensa (extrínseca)

Particularmente, achei isso sensacional… de fato é assim que acontece, você estabelece uma meta com seu gestor, mas não se compromete com a meta e sim, talvez, com a promoção que pode vir como resultado. E tudo bem! Mas ter essa clareza pode deixar você mais leve por conta desse propósito. Fica menos difícil, faz sentido para você?

Capítulo 2: Animação

Talvez uma tradução melhor de Animated, no contexto do livro, fosse Visualização, porque o que o senhor Murphy que dizer é que “quanto mais você for capaz de imaginar uma meta, mais intensamente ela será codificada em seu cérebro e mais ela irá se insinuar em sua vida e em sua consciência, tornando, assim, a realização dessa meta praticamente uma necessidade”.

A proposta aqui é que você imagine, com riqueza de detalhes, como a meta será alcançada, como você se sentirá quando isso acontecer.

Ele comenta um exemplo que é muito real para mim (não ria ao final): sabe quando você assiste a um comercial daquela sua rede de fast food preferida, e a câmera dá aquele close na fumacinha, e as cores são vibrantes, e a mordida é lenta, e é tudo tão crocante e saboroso e, então, você faz qualquer coisa para sentir tudo aquilo, até que está na frente do caixa dizendo – número 1, por favor!

(você não riu de mim, certo?)

Bem, essa “técnica” funciona não só para o marketing, mas também para que você faça qualquer coisa para alcançar sua meta – claro que se a sua meta envolve não comer de maneira alguma aquele delicioso hamburguer no pão com gergelim, você vai precisar imaginá-lo em cores em escala de cinza e não com aqueles maravilhosas cores)

(ok, confesso, estou escrevendo esse post às 15h55 e ainda não almocei)

O fato é que quanto melhor você visualizar sua meta alcançada, tanto melhor… vale fazer o quadro dos sonhos ou Vision Board, se você quiser.

Dica importante: “ao criar uma imagem mental de suas metas, é importante usar a perspectiva de primeira pessoa”, ou seja, ao invés de ser ver recebendo a carta de promoção, “veja” sua mão apertando a mão do seu líder, é aquele aperto forte ou mais frouxo? Dá para ver a manga da sua camisa?… pegou o sentido, né?

Talvez você seja mais cético e esteja pensando que tudo isso é bobagem, saiba que atletas de sucesso usam essa técnica, veja aqui.

Capítulo 3: Necessidade

Nesse capítulo, o autor fala de procrastinação e da forma como valorizamos mais o presente do que o futuro. Muitos de nós preferimos receber R$100 agora do que R$110 daqui a um ano, não é mesmo?

E convenhamos que seus objetivos de desempenho profissionais geralmente estão atrelados a uma data de cumprimento, certo?

Portanto, o que se sugere é que você possa usar alguns truques para que seu trabalho para alcançar a meta não pareça tão penoso, seja fazendo os benefícios parecerem ainda melhores (ao invés de “ser magro” seria “usar aquele jeans 38 que estou guardando há 10 anos combinando com aquele camisa importada que ganhei do namorado e não me servia antes e, então sairemos para um jantar romântico…” ou “valorizar a segurança do paciente” para “relatar cada possível erro, mesmo que não tenha efetivamente ocorrido, e aprender ao menos duas lições dessa situação e implementar uma solução dentro de x horas”).

 Capítulo 4: Dificuldade

Essa parte do livro me lembrou muito a Teoria de Flow de Mihaly Csikszentmihalyi, no que diz respeito a manter-se desafiado por metas difíceis ou entrar em estado de letargia se a meta for muito fácil.

“Ter metas difíceis aumenta seu desempenho”

É preciso estar atento ao que significa dificuldade para cada um e desafiar-se a fazer mais, ter metas que impliquem estudar e buscar mais informações, entende? Nada de subestimar ou superestimar… isso não dá certo!

É importante que você se pergunta: o que vou aprender com essa meta, como me sinto sobre essa meta e até que ponto essa meta está dentro da minha zona de conforto?

Gostei bastante do livro, acredito que permite a criação de metas com uma visão muito mais humanizada e menos robótica.

As empresas estão prontas para essa abordagem na elaboração de metas e objetivos de desempenho?

Não estou certa, mas podemos aproveitar que temos revisto tantas coisas e tantos comportamentos… por que não pensar mais sobre isso?

Para finalizar, aqui você encontra um vídeo em que o próprio Mark Murphy fala sobre o método [em inglês].   

E aí,

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