Análise

Como aproximar seu treinamento do aluno?

Soani Vargas
Escrito por Soani Vargas em 3 de março de 2020

Atendendo um cliente recentemente passei por uma situação inusitada ao definir a carga horária de um curso, que estimei em 90 minutos, e o cliente questionou dizendo que era muito pouco, argumentei associando o objetivo de aprendizagem ao conteúdo disponível e necessário, mas a informação que recebi foi de que o aluno só recebe a certificação se fizer um curso de 20h 😳

Talvez esse relato, apesar de real, soe para você como algo exagerado… talvez seja, mas pare e pense se você já não por situação similar, seja porque alguém definiu uma carga horária com base em critérios misteriosos, porque o conteudista entregou a você todo o conteúdo que ele acha interessante que o aluno saiba ou, ainda, porque não havia clareza com relação aos objetivos de aprendizagem do curso e sobre como esses objetivos estavam conectados ao desempenho esperado após o treinamento.

Meu intuito com esse post é trazer uma reflexão sobre algo que vem antes de tudo isso – conteúdo, especialista, desempenho…

Nós temos um sistema de ensino baseado em horas, segundo o artigo 24 da LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), alunos do Ensino Fundamental e Médio devem passar por uma jornada escolar de 800 horas anuais, distribuídos em 200 dias letivos, no mínimo. Daí no trabalho, por consenso sabe-se lá de quem, os treinamentos duram 4h ou 8h… e por aí vai.

E aí eu me pergunto e chamo você para pensar comigo: como é que eu vou engajar um aluno no meu treinamento se eu não estou pensando nele, mas em quantas horas eu quero que ele esteja “comigo”. Você já viu algum relacionamento dar certo desse jeito?

Então o que é que a gente precisa fazer para reverter esse tipo de pensamento e focar o treinamento na necessidade do aluno adulto?

#1 Foque no resultado

O curso que nós preparamos já concorre em atenção com muitas outras tarefas, pressões e urgências no dia-a-dia do aluno, então tenha clareza do resultado que o aluno busca e no que o curso vai ajudá-lo a melhorar em termos de performance. Vá direto ao ponto, deixe as teorias em um PDF na Biblioteca do curso para que ele possa acessar, se quiser. Mas no curso, objetividade é o nome do jogo.

#2 Traga situações reais

Nada de clicar no coqueiro para revelar uma informação na tela, use cenários e situações que sejam pertinentes ao assunto e do cotidiano do aluno, apresente casos reais, se possível.

Eu acho bacana aplicar doses de humor nos treinamentos, mas se você estiver comigo nessa, cuidado para não beirar o ridículo e, por exemplo, apresentar um piloto dando tchau com a mão para fora do avião em pleno voo… daí vira chacota e você joga o trabalho no lixo, caindo em descrédito.

#3 Tente não convocar

Em quais situações somos convocados para algo? Alistamento militar, trabalhar nas eleições, prestar depoimento na delegacia e… participar treinamento?!

Ainda que se trate de um curso obrigatório, tente mostrar ao aluno o motivo de ele estar participando dessa ação de aprendizagem, revele os objetivos de aprendizagem e os benefícios que ele pode usufruir.

#4 Incentive o compartilhamento

Aprendemos muito mais quando ensinamos, você concorda? Sempre que possível, promova interações entre os alunos, seja via fórum, discussões, encontros, debates e deixe-os compartilharem suas experiências e as formas como solucionaram seus problemas aplicando o conhecimento que o curso trouxe. Se você puder participar desse momento terá a chance de colher informações preciosas para a avaliação de resultados do projeto.

#5 Torne o processo divertido

Você sabia que, de acordo com a pesquisa Games Brasil 2019, cerca de 40% dos gamers brasileiros têm entre 25 e 54 anos de idade?

Então por que não trazer elementos de jogos para a sua estratégia de aprendizagem?

O convite pode fazer alusão a uma caça ao tesouro colaborativa, as informações do curso podem estar escondidas em QR Codes espalhados pela empresa, ao longo do curso você pode propor atividades que remetam a jogos, o próprio conteúdo pode ser apresentado como um tabuleiro e ao aluno vai ganhando poderes e passando fases. Parece bem melhor do que aquele velho powerpoint e o botão avançar, não é mesmo?

E aí,

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